3 de dez. de 2009

Fogo de Conselho

            Enio Alves Canaveaut



O lugar era um achado

A Tropa tinha acampado

Num capão feito a capricho

No ar um cheiro de bicho

Perfumava a natureza

E o Chefe tinha certeza

De ter um lugar ameno

Porque o laguito sereno

Supria água mui boa

E ali, no más, a lagoa

Também servia pro banho

Mas o que era mais estranho

Era a clareira fincada

Tão descoberta e espaçada

No meio da mataria

Qual um templo que se erguia

Tendo o céu por coberta

A tropa toda se aperta

Num traje grosso de guerra

E no velho Chefe se encerra

Num pensamento profundo

Demonstrar a esse mundo

Que existe algo mais nobre

E que o céu que nos encobre

Ainda manda nisto aqui

E ele estava a se rir

E dando gargalhadas

De cenas apresentadas

Neste fogo de conselho

Que para ele era espelho das coisas boas da vida

Pois tendo o céu por guarida

O homem aprende mais

Do que consultando em anais

De escolas construídas

Lembrou então da saída

Lá da Sede, em fila indiana

Do que fora a semana

Das muitas pioneirias

Lembrou da sua alegria

Ao fazer uma inspeção

E na hora da oração

Ele, Insígnia da Madeira

Havia há tempo compreendido

Que o muito que havia lido

Lhe valia parte então

Pois lhe valer a emoção

De ver fazer a Promessa

De um piá que começa

Nessa nossa Irmandade

E pra falar a verdade,

Embora ninguém notou,

Foi na hora da canção

Entrelaçando as mãos

Que o velho Chefe chorou

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