A todos, saudações Escoteiras
Estou remetendo esta a título de informação geral que dá eixo, mas peca em precisão e cronologia por se tratar de ilustração e não de trabalho de pesquisa com rigor acadêmico, quanto às associações escoteiras hoje existentes no Brasil:
UEB - União dos Escoteiros do Brasil: (60.000 associados declarados - 35.000 reais estimados)
AEBP - Associação Escoteira Baden-Powell: (10.000 associados declarados - 5.000 reais estimados)
FET - Federação dos Escoteiros Tradicionais (?)
LET - Liga de Escotismo Tradicional: 109 (Contados "in loco" na Bandeira em 22/05/10)
OEF - Organização dos Escoteiros Florestais: (400 jovens liderados por um só Chefe - Major Fidelis, cujo eixo de ação é o reflorestamento)
Ainda escuto ruído de fundo sobre a criação da AEI - Associação dos Escoteiros Independentes e a existência de inúmeras associações de menor porte (Espíritas, Luteranos Evolucionários, etc), que lentamente se encaminham ou já estão, pelo excelente trabalho de captação e adesão, para a AEBP. Vale lembrar que estas associações foram criadas de 5 anos para cá (Florestais à 15 anos e ignorados pelo sistema), com a única proposta de retomar o escotismo originalmente idealizado pelo General Baden-Powell. O escotismo foi trazido ao Brasil por oficiais da Marinha de Guerra em 1910 e, portanto, o movimento este ano completa 100 anos de existência no Brasil, mas notem o movimento e não a UEB.
A UEB foi criada em 1924 por iniciativa do "Velho Lobo" para tentar harmonizar e reunir as inúmeras associações escoteiras existentes (+ de 30) de todas as matizes e denominações que tendiam o afastamento entre si, buscando uma padronização de métodos, representação, uniformização, etc, mas era mais uma dentre as muitas existentes. A única que se manteve fora dessa proposta foi a Associação Brasileira de Brasileira de Escoteiros, de São Paulo, que acabou com o tempo sendo engolida pelo monopólio da UEB, portanto, São Paulo não esteve sozinho somente na revolução de 1932.
Mas a UEB só conseguiu essa virtude em 1950 e se de direito ela foi fundada em 1924, de fato só passou a existir em 1950, portanto há 60 anos, quando se conseguiu reunir pela extinção, as Federações de Escoteiros de Terra, Mar e Ar. (a Federação dos Escoteiros do Ar foi fundada em 1944 e o Brasil é pioneiro nessa modalidade). Nesse período, realmente houve relativa harmonia e produtividade escoteira, mas isso durou somente até 1990, quando se implantou o MACPRO que resultou no Programa de Jovens, uma proposta que virtualmente excluía o adulto como escoteiro, agora escotista e que afastava o movimento brasileiro das tradições implantadas pelo fundador. O desenvolvimento do adulto era agora por certificação (cursos) e não mais por mérito adquirido (treinamento vivenciado).
A partir dai foi a 2ª extinção em massa de escoteiros, perdemos como movimento os "dinossauros" e sua experiência escoteira de décadas, que por discordar e para não rachar o movimento, preferiram se retirar dele. A 1ª extinção em massa se deu durante a década de 70, com a desmobilização do regime militar rumo às instituições democráticas. O escotismo nunca esteve ligado ao regime, mas estava intimamente ligado aos militares, como conduta, recursos e demais facilidades operacionais. Por desvinculação desses e mais, sofremos intensa campanha de desmoralização e ridicularização, principalmente pelo humorista Juca Chaves, fenômeno que se verifica até hoje (Zorra Total da Rede Globo), vestir uniforme passou a ser vergonha, por maior que fosse o ideal e nós o temos (hoje, quando de uniforme, todos me perguntam: você é policial?, você é militar? menos, você é escoteiro? e quando respondo isso, me perguntam o que é escoteiro?). Sei disso porque vivi, vivo isso. Fui aspirante a escoteiro em 1970 e em 1971 escoteiro no GE Ebenézer, portanto, nesse ano completo 40 anos de prática escoteira, pois uma vez escoteiro, sempre escoteiro.
Como 035/SP Clã Distrital Marechal Rondon (por que não dizer regional), sei da luta de meus pares para manter o movimento com fôlego na Região São Paulo na década de 70, pela simples inexistência de chefes escoteiros em 1977 a 1979 nos grupo escoteiros da Capital. Eu estava lá, com reuniões na sede da UEB na Av. Brigadeiro Luis Antonio. Lógico, sozinho não e em parca idade (20 anos - meio besta) valeu a condução do grande Chefe Hercule Bambini que nos coordenou junto com o remanescente do Ebenézer. Isso é história vivida e não estória oficial.
Fundei, com outros, em 2009 o 369/SP GEAr Jabaquara, cuja principal meta era resgatar o escotismo de raiz, baseado na Lei e na Promessa, operando sem vaidades e cuja missão era construir pessoas. Esbarrei no sempre problema de todo grupo,os adultos, que não foram capazes de renunciar ao ego próprio em favor do grupo, assumindo o real Espírito Escoteiro, onde o respeito pela diferença é o sentido de Fraternidade, que coloca o nós acima do eu. Mas, é problema histórico no escotismo pós 1990, devido ao desprezo em aderir à Lei e Promessa, pois é escotista e não mais escoteiro e está livre da lei e promessa, afinal o movimento é para jovens, para jovens e por jovens, o adulto é mera inscrição.
Fechei o ano de 2009 com 64 registros e comecei o ano de 2010 com 15 registros, apesar de um índice de horas-atividade/associado na minha avaliação alto e com qualidade de proposta, pois à parte do problema de ressonância de chefes, a grande alegação: registro é muito caro e como não podemos participar sem registro, ficaremos de fora. (atualmente 15% do salário mínimo nacional por participante). Considerando que a base econômica dos pretendentes a escotismo (excetuados alguns grupos de forte poder aquisitivo) está na classe C e D, devo pessoalmente concordar que é muito, principalmente para o nada de retorno institucional oferecido (uma carteirinha, um seguro difícil e uma plaqueta de verificação de laxação do ano). Portanto, nossa missão de construir pessoas já fica comprometida e limitada ao poder aquisitivo familiar). Como não pude repetir a isenção dada pelo fato de fundação, o grupo se reduziu, mas mesmo assim mantenho o ideal e a persistência, apesar da crítica familiar me solicitar o abandono da ação, mesmo assim permaneço (sou considerado trouxa idealista sem razão e propósito), acredito na qualidade e não na quantidade como índice escoteiro.
Mas, o que mais me aberra e me surpreende é a UEB, em todas as suas instâncias. Sua soberba, sua arrogância, sua apatia e indiferença, como se a instituição fosse um fim e não um meio de promover o escotismo ao fortalecer suas bases, que são justamente os grupos escoteiros. Recentemente, diante da determinação de me subtrair o e-mail institucional, mandei correspondência por ofício GEArJ-0083/10 Domínio escoteiro.org.br, acerca da ação de subtração e não de adição, o que me leva pessoalmente a questionar: de que e para que me serve essa associação, se eles não me consideram parte, mas apêndice de paranóia incomôdo? Não sou parte, pois não tive qualquer resposta no nível nacional, no nível regional, no nível, agora de grande solução Área Escoteira (?), Distrital.
Passadis 20dias, tive somente manifestações pessoais e locais, que igualmente indignados se posicionaram favoravelmente ao contexto local. Será que a UEB em todas as suas instâncias representa realmente o movimento ou está lúdicamente à parte dele, imaginando que com suas resoluções, pretexto de uma pretensa conservação da pureza e ordem institucional, melhor dizendo: preservação em causa própria, em sua profileração e manutenção de cargos e propostas inócuas e adornativas, distantes da realidade? caráter que fortalece a opção de associação, que eles, a UEB, insistem em ignorar e desprezar como se não existissem pois estão à margem de sucesso institucional? Eles mesmos contribuem para isso, uma pequena pesquisa de opinião, se tivessem humildade, demonstra inevocadamente essa disposição de ânimos pelas unidades locais. Até quando seremos ignorados na soberba?
Na Assembléia Regional de 2006 (quando Diretor Presidente do 109/SP Cabo Kennedy), depois de árduo esforço de convencimento junto à Comissão Especial (a única de última hora para proposta realmente eficazes), apresentei plano de 25 ações pontuais para resgate e melhoria do movimento escoteiro, bseadas em três premissas: 1-O escotismo é um movimento em extinção, 2- É preciso facilitar a vida do Escotista e 3 - Não somos ONG, somos Fraternidade, Atividade é meio e não fim. Depois de assistir intenso debate sobre a posição do emblema de radio-amdor acima do emblema de Escoteiro do Brasil, nem sequer fui discutido ou citado em ata e vejo hoje grande parte dessa proposta sendo executada de forma distorcida do que foi proposta à margem de autoria, pois como me foi dito na ocasião: nós já estávamos pensando nisso, aguarde e verá. Não estou à procura de méritos próprios, pois minha preocupação sempre foi o desempenho local e não regional ou nacional. Há pessoas melhores do que eu para esse objetivo. Mas foi a contribuição de quem vive a real prática e que foi ignorado senão menosprezado pela direção regional e nacional, por afinal ser unidade local. A intenção foi contribuir. Não tenho hoje nenhuma condecoração que vejo presente no peito de muitos escotistas, cheios de barretes. Pode ser que não mereço, não quer dizer que não queira, mas não tive a iniciativa de ninguém para esse fim e achei muito chato reivindicar em causa própria, pela posição de diretor.
Conversando com vizinho, que por sua militância política, que teve direitos cassados no regime militar e que hoje goza de relações políticas dominantes, me falou, deixa comigo, vou pedir que as altas esferas intercedam a seu favor e entre dirigentes façam manter seu endereço eletrônico pela instituição. Tive que, por mais tentadora que fosse a oferta, dizer: não! Quero tocar a campainha e ser atendido pela porta da frente e não arrombar a porta dos fundos. Que exemplo estarei eu dando aos meus escoteiros? que o caminho mais fácil é o melhor, mesmo que em causa própria? Que os meios valem os fins? Que virtude e direito não valem nada, por vivermos na lei do mais forte, ele pode mais? Não pude aceitar por princípios.
Os mesmos princípios que aprendi como escoteiro, dar valor ao que tem valor. Por isso me revolta quando, tivemos escoteiros que hoje estão no poder executivo, legislativo e judiciário, na Maçonaria, na Ordem Rosa Cruz, nas diversas Igrejas e segmentos sociais, nada fazem para que esse movimento tenha valor pelo valor que tem em sua constituição, apesar de toda sua ligação com as instituições civis, militares e ideológicas. Me desencanta quando o Vice-Presidente da República (Res-pública - coisa de todos) declara um dito escoteiro e se faz a maior mídia sobre o assunto, sendo que o sujeito não deu a menor contribuição para que o movimento se fortalecesse ou tivesse suas pendências resolvidas. Até hoje, e por mais que a existência de grupos se deva ao trinômio: adultos x associados x sede, não há um dispositivo sequer que garanta nossa permanência num equipamento público e não são poucas as histórias de grupos despejados na esfera federal, estadual e municipal e que alcançam seu fim, apesar de todo o clamor e sem nenhum apoio institucional na questão. É a Lei de Pilatos. Lava-se as mãos desse Justo, em suam não é problema meu, é outro galinheiro ou é a galinha ao lado e não eu que foi atacada pela raposa.
Meu vizinho com certeza não entendeu, mas eu entendo: quero ser ouvido pela UEB pela porta da frente, primeiro porque sou parte fundamental da instituição, sem mim e meus congêneres, eles não tem nada e não são nada, nós unidade local somos o valor e o fim. Que estamos num sistema representativo, até adoto e abalizo a idéia, mas precisamos de pessoas que nos representem em nossa realidade operacional, nos escutem em nossas dificuldades operacionais e não que tenham decisão de gabinete após churrascos de idealizadores de fim-de-semana. Precisamos, se queremos cumprir nossas promessas e estar de acordo com a Lei, de pessoas que nos recebam mis de que como aliados, mas como amigos e não como um estranho, lunático ou problema, com cortesia. Como dirigentes locais, deveríamos ser recebidos com tapete vermelho nas instituições e não como: lá vem ele, de novo, vamos ser educados. A UEB é meio, não é fim. A UEB é a nossa casa e não a deles, inquilinos temporários, que por posse negam nossa propriedade.
2012 está ai, para os iniciados é um marco de mudança das consciências universais, mundiais, nacionais e locais, para os demais é apenas uma data o que não significa não haverá mudanças. Quem tiver olhos para ver que enxergue, quem tiver ouvidos para ouvir que ouça. (JC 33 Ad). O clamor de mudanças está ai, para quem puder e quiser entender.
Minha proposta, que não é minha, é do que aprendi e vivenciei junto aos meus chefes escoteiros, é simples, construir uma Humanidade melhor, um Ser Humano mais equilibrado uma Sociedade mais justa. Desculpem-me todos, que de informação geral se tornou um desabafo geral de um que persegue o ideal, apesar da instituição que não soma, apenas subtrai, que não multiplica, apenas divide. A realidade, que não é minha, está ai para comprovar.
Pessoalmente continuo eu a perseguir o ideal: construir pessoal para um Brasil grande e integrado como nação.
Francisco Kainer Rinaldi
Secretário de Grupo
GEAr Jabaquara
PS.: essa expressa a opinião de um escoteiro/escotista e não a opinião do grupo, da direção regional ou da direção nacional.
