10 de out. de 2008

Mendigos entram na era da internet






Mundo globalizado é isso aí! A inclusão digital começa a aproximar mendigos do mundo de possibilidades que a internet propicia. Um batalhão de sem-teto está recorrendo a bibliotecas públicas e computadores em abrigos sociais para deixar sua impressão digital na web. Muitos já têm blogs. Um site de destaque é o do Project Kengikat, que conta histórias do pessoal das ruas.


A imagem de um mendigo usando um laptop se tornou uma das mais disseminadas por email nas últimas semanas na Inglaterra, como mostra o "Sun". A imagem é chapliniana.


É claro que tem mendigo com todas as intenções. Em maio deste ano, a polícia prendeu Paul Krueger (o nome é uma perfeita ironia para o caso!), um sem-teto americano que usava um laptop em Atlantic City para dar golpes em mulheres carentes que buscavam a cara-metade em um site de relacionamento. Ele conseguiu arrrecadar 100 mil dólares de 13 vítimas se fazendo passar por produtor musical bem-sucedido no trabalho, mas com azar no amor.


"Um mendigo com um laptop consegue um tremendo acesso ao mundo exterior", disse uma promotora da cidade.

9 de out. de 2008

Escalada


PADRÕES DE ESCALADA - CONFUSO?


Durante a leitura, se necessário, consulte o Dicionário da Escalada



Existe uma grande confusão em relação à denominação das modalidades de escalada no Brasil e isso já foi tema de algumas discussões acaloradas e infrutíferas. Resolveu-se então, fazer um tipo de "seminário", inclusive aberto na internet, para que as pessoas pudessem dar as suas contribuições. O resultado final originou as definições que serão mostradas adiante.


Até a década de 80, no Brasil as escaladas tinham classificações simples que se espelhavam no estilo da via. Existiam quatro denominações: chaminé, diedro ou oposição, fissura e paredão. Ainda existiam os tetos, que eram todos em artificial, ou de grampos ou mistos com pitons. Por exemplo, quase todas as escaladas tinham os nomes precedidos de uma dessas palavras, como: Paredão Roda Viva, Oposição Ecologia, Fissura Guilherme, Diedro Pégaso, Chaminé Stop e Teto Menescal. Porém, a escalada evoluiu, esses prenomes quase não são mais usados e essas denominações foram revistas. Dessa forma, a seguir é mostrado o resultado da tentativa de definir melhor o que é a escalada brasileira, de acordo com as pessoas que participaram nas discussões.

1 - VIAS TRADICIONAIS
2 - VIAS EM GRANDES PAREDES
3 - VIAS ESPORTIVAS

3.1 - Técnica

3.2 - Atlética
4 - VIAS COM PROTEÇÃO MÓVEL ("Vias Móveis")

4.1 - Fendas

4.2 - Esportivas

Um Breve Histórico do Desenvolvimento da Escalada no Brasil.

A partir da década de 60, depois das maiores e melhores chaminés terem sido conquistadas, os escaladores brasileiros concentraram esforços no desenvolvimento de técnicas e material para escalar os "paredões". Basta lembrar dos calçados (China-Pau, Conga e Kichute) e dos grampos genuinamente brasileiros. É bom lembrar, de acordo com o Giuseppe Pellegrine (escalador de renome e muito ativo nas décadas de 50, 60 e 70), que antes os montanhistas só se interessavam em chegar ao cume e todas as escaladas antigas, até a década de 50, se situavam em montanhas e morros que tinham cumes significativos. Pode ser verificado que as escaladas mais antigas no Rio de Janeiro se situavam, por exemplo, no Pão de Açúcar, no Corcovado, na Agulinha da Gávea, nos Dois Irmãos do Leblon, nos Dois Irmãos de Jacarepaguá e na Pedra da Gávea, além, é claro, da Agulha do Diabo e Dedo de Deus. Eram desprezadas as paredes que não tinham topos proeminentes, como exemplo, o Morro da Babilônia. Depois foram abertas as primeiras vias nessas paredes, mas havia um certo preconceito porque se escalava mas não se chegava a "lugar nenhum" porque os escaladores desciam tão logo a escalada na rocha terminava, como acontecia e continua acontecendo no Morro da Babilônia. Essa modalidade de escalada, segundo o Pellegrini, era chamada de "rochedismo". Podemos dizer, dessa forma, que o rochedismo, estilo de escalada predominantemente em parede com agarras, foi a raiz para a evolução das escaladas típicas mais populares que temos hoje no país: as chamadas paredes (nos EUA é conhecida como face climb). Do "rochedismo" foram sendo criadas ramificações conhecidas no passado como "paredão" (vias tradicionais) e "falésia" (vias esportivas técnicas e atléticas).
Tem sempre alguém fazendo alguma coisa fora dos padrões normais de escalada, por exemplo, já na década de 60 o Rodolfo Chermont abria vias perigosas no padrão E4, talvez até E5. Um exemplo foi o Roda Viva (4° VI) conquistada com grampos de ¼ e cuja distâncias entre eles eram exageradas, o que fugia completamente do que podemos chamar de via tradicional para a época e para os dias de hoje. Atualmente acontece a mesma coisa, são abertas vias que não se enquadram perfeitamente dentro dos padrões que serão descritos, mas nem por isso é preciso criar uma modalidade nova, porque se fosse dessa forma, teríamos uma infinidade complexa de padrões diferentes de escaladas. Daí veio a necessidade de padronizar as modalidades de escaladas brasileiras, mas pode acontecer de algumas vias se encaixarem em dois padrões ou serem uma mistura de padrões. O importante é que a classificação proposta aqui seja flexível, porque as pessoas podem ter opiniões divergentes.
1 - VIAS TRADICIONAIS
São vias grampeadas normalmente nos padrões E1, E2 e E3 (grau de exposição): em chaminés, paredes com agarras e paredes de aderência. A primeira modalidade de escalada feita no Brasil foi a chaminé, com a conquista do Dedo de Deus em 1912. A partir daí várias outras escaladas foram conquistadas para se chegar ao cume de algumas montanhas como: Agulha do Diabo, Pico Maior de Friburgo, Pão de Açúcar, Corcovado, etc. Sendo assim, as chaminés são verdadeiramente a escalada tradicional no Brasil, onde eram colocados grampos, pitons e cunhas de madeira com distâncias entre eles de 10 a 20 metros. Até a década de 60, várias dezenas de montanhas no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e no Paraná foram conquistadas em vias de chaminé. Mas hoje, muitas chaminés vêm sendo conquistadas com a utilização de material móvel, quando isso é possível.
Porém, as vias tradicionais brasileiras mais conhecidas se situam em paredes com agarras, que se tornaram comuns a partir da década de 70, mas algumas foram conquistadas nos anos 40. São exemplos vias como: Secundo (5° VIIa), Quarto Centenário (4°), CERJ do Capacete (5° VI), Trinta de Julho (5° VI), C100 (5° VI), Paraíso Perdido (3° V), etc.
Na década de 80, a chegada das botas com solado de goma cozida (as botas e sapatilhas atuais) facilitaram na abertura de muitas vias no estilo puramente de aderência, ou predominantemente de aderência, aumentando o leque de vias tradicionais no Brasil, como exemplo as vias: Arrasta Pé (6° VI+), Jardins Suspensos da Babilônia (7a VIIc), Solitude (5° VI), etc.
Existem ainda as vias grampeadas com vários esticões de corda, mas que podem ter a proteção melhorada com a colocação de algumas poucas peças de material móvel. Algumas pessoas preferem chamá-las de tradidional mista. Existem numerosos exemplos no Rio de Janeiro, no Paraná, em São Paulo, em Minas Gerais, etc. Os exemplos mais famosos podem ser as vias do Pão de Açúcar: Lagartão (6° VIIc), Contra Secundo ou Valdo (6° VIIc) e o Cavalo Louco (5° VI+).
Existem ainda as vias tradicionais artificiais, que foram moda no Brasil durante algum tempo. Hoje ainda existem algumas que foram mantidas devido a importância que tiveram ao longo de várias décadas. Muitas vias atuais eram, originalmente, enormes artificiais fixos, como a Via dos Italianos (5° V) no Pão de Açúcar, a Secundo (5° VIIa), nessa mesma montanha, etc. As vias artificiais podem ser do tipo "escada de grampos", como exemplos: Ibis no Pão de Açúcar, Teto Domingos Guiobi na Pedra do Baú, etc. e as "vias ferratas", que podem ser equipadas com cabos de aço ou degraus de ferro. Exemplos: a CEPI no Pão de Açúcar e a longa escada na face norte da Pedra do Baú.
2 - VIAS DE GRANDE PAREDE
O que é uma grande parede para o padrão brasileiro? Quais são as referências que podemos levar em consideração: o tempo de escalada, a extensão, ou os dois juntos? Muitos escaladores consideram grandes paredes as que são maiores que o Pão de Açúcar, ou seja, acima de dez esticões de corda (± 500 metros). Porém, isso não pode ser uma regra rígida porque existem vias de apenas 8 esticões que são muito difíceis e complexas, por isso, acabam virando um "big wall" porque obrigam os escaladores a dormir na parede. Por outro lado, existem vias de 15 esticões de corda que são tecnicamente muito fáceis e a maioria dos escaladores sobe e desce em poucas horas. Por este motivo, não são consideradas vias de grande parede. Dessa forma, o termo "grande parede" é relativo. A melhor definição pode ser vias que tenham duração mínima D4, ou seja, vias que em média precisam de um dia inteiro para serem feitas, mas nesse caso, a caminhada não pode ser levada em consideração. Dessa forma, as grandes paredes ficam necessariamente entre D4 e D6 (a classificação "D" indica o tempo médio necessário para que a escalada seja realizada).
Nas vias genuinamente de grande parede no Brasil, é normal existir uma mistura de estilos como: agarras, aderência, chaminés e fendas. As proteções geralmente são mistas (grampos e material móvel). Esta modalidade é a mais comum em grandes paredes e teve uma grande evolução nos anos 80, com a chegada de materiais móveis modernos como: friend, tricam, etc. Algumas dessas vias podem ter pequenos trechos com artificiais (fixos, de buraco, ou móvel). Entre as primeiras vias abertas no Rio de Janeiro nessa categoria estão: Arco da Velha (6° VIIa), The Wall (7° VIIa), entre outras. Existem também as vias em grandes paredes que possuem proteções fixas, como exemplo: a Leste do Pico Maior de Friburgo (5° VI) e Infinita Highway (6° 7b), entre outras.
Nas grandes paredes também existem vias com proteção predominantemente com material móvel. Porém, no Brasil são raras as formações de fendas (fissuras e diedros) que cobrem longas extensões nessas paredes. As paradas e alguns lances podem ser protegidos com grampos e pode até ter pequenos trechos em artificial. Algumas dessas vias podem ser feitas ou totalmente em "livre" ou com pequenos trechos em artificial móvel. Alguns exemplos são: Sinfonia do Delírio e Grito das Andorinhas.
As Vias de Grande Parede em artificial - que no Yosemite são conhecidas como "big wall" - são normalmente muito longas e com progressão predominantemente em artificiais complexos. Por causa da extensão e da complexidade, é necessário passar pelo menos dois dias na escalada. No Brasil, essas vias geralmente são maiores que 8 esticões de corda. Existem vários exemplos no Rio de Janeiro, no Paraná e em Minas Gerais, entre eles: Tragados Pelo Tempo, Terra de Gigantes, Crazy Muzungus, etc.
3 - VIAS ESPORTIVAS
As vias esportivas podem ser definidas como tendo proteções fixas no padrão E1, no máximo E2, onde o escalador precisa se concentrar apenas em escalar, e não se preocupar com as proteções. Essa modalidade, ao contrário que muitos pensam, não precisa ser necessariamente de vias curtas e difíceis, muitas vias de vários esticões de corda podem ser consideradas como esportivas. Elas são divididas em técnicas e atléticas.
3.1 - Via Esportiva Técnica - São vias em parede ou em grandes blocos de rocha, com agarras ou aderência. Este estilo teve grande desenvolvimentoe na década de 80, tendo como raiz os artificiais fixos que foram sendo lentamente eliminados e outras vias foram abertas especialmente para atender à esta modalidade, como aconteceu na Pedra do Urubú: Urubú Capenga (7b), Urubú Rei (7b) e Urubú Mestre (8c). O mesmo ocorreu nos Ácidos, com a abertura da DNA (7a) e da Ácido Úrico (7c). Com o tempo, essas vias foram aumentando de tamanho e muita gente considera também, como esportivas, vias mais longas com alguns esticões de corda, como: Lagarto Lambão (6° VIIb) e Caipirinha (6° VI+), situadas no Pico da Tijuca; Às de Espadas (6° VI+) e Alfredo Maciel (6° VIIc) no Pão de Açúcar, entre outras. Também existem as vias esportivas de aderência, como as que existem em Petrópolis e na Serra do Cipó (MG), como exemplo as vias: Liseba (7a) e Tobogã (7c). Atualmente existem vias esportivas técnicas com vários esticões de corda em vários pontos do país.
3.2 - Via Atlética - É conhecida popularmente como "falésia", o que não é uma denominação muito apropriada. No Brasil essa modalidade foi uma evolução natural das vias esportivas técnicas, mas que teve uma grande influência da escalada européia, principalmente a francesa, na década de 80. São vias geralmente em pequenas paredes onde a declividade é normalmente negativa, exigindo força ou resistência ou força/resistência, grampeadas no padrão E1/E2. Podem ter qualquer extensão, de 10 metros a vários esticões de corda. São mais comuns vias esportivas atléticas curtas, simplesmente porque no Brasil é muito raro encontrarmos paredes negativas, com boas agarras e com mais de 50 metros de extensão. Se tivéssemos, com certeza teríamos muitas vias atléticas com vários esticões, como é o caso da via Salada Mista, em Petrópolis, que possui cinco esticões de corda, respectivamente com as seguintes graduações: 6+, 7c, 9c, 10a e 10b. Porém, as mais conhecidas são as vias curtas do Campo Escola 2000, na Barrinha e na Serra do Cipó, entre outras várias dezenas de lugares espalhados pelo país.
4 - VIAS COM PROTEÇÃO MÓVEL ("Via Móvel")
Resolveu-se dividir essa modalidade em duas: via móvel em fendas e via móvel esportiva:
4.1 - Fendas - No Brasil essas vias são geralmente curtas, com poucos esticões de corda e em qualquer tipo de fenda (oposição, diedro e fissura) ou canaleta. Existe uma enorme variedade de fendas, algumas com boas condições de proteção e outras não tão óbvias. Já na década de 70, vias desse tipo já eram escaladas, mas foi no final da década de oitenta que se multiplicou consideravelmente o número delas abertas, por causa da maior disponibilidade de equipamentos de proteção, e assim foi desenvolvida áreas como a Serra do Cipó (MG), a Serra do Lenheiro (MG), Guaratiba (RJ), Caixa de Fósforo (RJ), etc.
Algumas vias em fendas tem progressão feita em artificial móvel ("friends", "nuts" e pitons) com duração máxima de um dia (D4). Pode ter alguns trechos de artificial de "cliff". Alguns escaladores preferem utilizar o termo Artificial Móvel Esportivo. A técnica é a mesma utilizada nos "Big Walls", porém, não é necessário a utilização de grande infraestrutura porque não é preciso dormir na parede. Exemplos: Saint-Exupéry (5° A2) no Corcovado e no Pão de Açúcar as vias Teto Ricardo Menescal (A2 V+), Debaral (A3). No Maciço do Marumbi (PR) e na Pedra do Baú (SP), além de outros lugares em outros estados, existem numerosos exemplos.
4.2 - Via Móvel Esportiva - Alguns preferem chamar de "Esportiva Complexa''. São vias situadas normalmente em pequenas paredes ("falésia") ou em grandes blocos, protegidas com material móvel em lacas, buracos e fissuras irregulares, cuja forma de proteger pode não ser óbvia. Nas vias tecnicamente mais difíceis as peças móveis são colocadas previamente de corda de cima. O grau de complexidade aumenta com a dificuldade técnica e o grau de exposição. As primeiras vias que se encaixam nesta modalidade foram abertas ainda na primeira metade da década de 80, como exemplo, a Alta Tensão (6° E4) na Serra do Lenheiro (MG). Mas foi no final da década de 90 é que o estilo ganhou mais adeptos, principalmente no Rio de Janeiro e no Paraná. Esta modalidade vem sendo chamada erroneamente de "Hard Grit" por alguns escaladores que não conhecem adequadamente a filosofia do estilo. Quanto a isso, vários artigos já foram publicados na tentativa de uma melhor explicação para a modalidade, mas que antes era conhecida como "tradicional esportiva".

Alguns locais do Rio Grande do Sul


Desde a primeira vez que conheci Caçapava do Sul e fui apresentado à escalada em conglomerado tive a certeza de que estava em um lugar muito especial. Primeiro pela camaradagem e atendimento dos montanhistas locais, que fazem questão de lhe acompanhar e apresentar tudo o que conhecem, e depois pela possibilidade de escalar em uma rocha tão rara no Brasil (só existem no Rio Grande do Sul e na Chapada Diamantina (BA), o Conglomerado Gaúcho.
O Conglomerado é uma rocha formada por seixos que parecem terem sido tirados de rio e juntados numa “argamassa” de arenito. Quando o arenito é duro, os seixos ficam bastante resistentes, mas em outros pedaços, onde o arenito esfarela, os seixos saem com o simples toque, o que obriga ao escalador testar todos os seixos antes de usá-los para sua progressão. Esta situação de constante quebra de agarras torna necessário o uso de capacete, tanto para o guia quanto para o segundo.

Para escalar na área da Pedra do Segredo e Leão a melhor opção é ficar no Camping Galpão de Pedra, cujo dono, Sr. Manoel Teixeira, irá lhe fornecer todas as informações necessárias, além de colocá-lo em contato com os escaladores locais. O Camping tem uma grande área para montagem de barracas, quatro banheiros e cantina, tudo mantido perfeitamente limpo e em ordem.
O Leão - Partindo do Galpão, a montanha mais próxima é o Leão, onde está uma das rotas mais clássicas da região, a Silêncio dos Inocentes 6° A1 e mais meia dúzia de rotas que valem a pena serem escaladas, com graus variando entre 4° até 7°. Elas são geralmente bem protegidas por grampos P, que nas rotas mais recentes são, além de longos, colados, o que devido à fragilidade da rocha é uma necessidade.

O Leão tem ainda uma via ferrata, a qual o montanhista pode usar para subir ao topo sem uso de nenhum equipamento de segurança. Ainda próximo ao Leão existem outras pedras menores que proporcionam escaladas interessantes, como o Navio e uma porção de boulders.

8 de out. de 2008

Ging Gang Goolie


Existe uma bela canção escoteira que é cantada em quase todos os paises. Seu nome é Ging Gang Goolie. Durante o primeiro Jamboree Mundial, realizado em Olympia, Inglaterra, Baden-Powell buscou um tema que todos pudessem cantar, não importando o idioma que se falasse. Ging Gang Goolie foi o resultado. A canção não esta escrita em nenhum idioma, porem é muito divertida. Aparentemente a história foi criada mais tarde.
Bem no interior da África, existe uma lenda a respeito do "Fantasma do Elefante Cinza". Todo ano, após o período de chuvas, o Fantasma do Elefante Cinza surge da névoa e perambula por todas as partes do campo durante o amanhecer. Quando chegava até uma aldeia, ele parava e cheirava o ar, então ele podia rodear o povoado ou atravessa-lo. Se rodeava, a aldeia teria um ano próspero, entretanto se ele a atravessava haveria fome e seca. A aldeia de Wat-cha já havia sido visitada pelo Fantasma por três anos seguidos e as coisas estavam realmente muito mal. O chefe da aldeia, Ging-Ganga estava bastante preocupado, bem como o curandeiro Háy-la-shay. Os dois resolveram fazer algo a respeito.
Ging-Ganga e seus guerreiros, homens altos e fortes,armados com grandes escudos e lanças, ficariam no caminho do elefante gris sacudindo seus escudos e lanças para assusta-lo e faze-lo fugir. Hay-la shay e seus seguidores mandariam feitiços mágicos para deter o elefante, movendo suas "bolsas medicinais" enquanto o elefante se aproximava , produzindo o som shalawally, shalawally, shalawally. Muito cedo, na manhã do dia em que o Grande Fantasma do Elefante Cinza viria, os moradores do povoado se reuniram nos limites da aldeia. De um lado estava Ging- Ganga e seus guerreiros, e no outro lado estava Hay-la-shay e seu grupo. Enquanto aguardavam, os guerreiros cantavam suavemente canções sobre o seu chefe. Ging gang goolie, goolie, goolie, goolie, watch, Ging, gang, goo, Ging, gang,goo. Ging gang goolie, goolie goolie, goolie, watch, Ging, gang, goo, Ging,gang,goo. Os seguidores do curandeiro também entoavam canções sobre o seu líder: Heyla,heyla sheyla, heyla sheyla, heyla ho, Heyla, heyla sheyla, heyla sheila, heila ho, e enquanto cantavam sacudiam suas bolsas com os "medicamentos": Shalli-walli,shalli-walli,shalli-walli,shalli-walli. Enquanto isso vinha do rio as respostas do poderoso Fantasma do Elefante Gris; Oompa, oompa,oompa.O elefante se aproximava de modo que os guerreiros golpeavam seus escudos e cantaram mais fortes . O grupo do curandeiro também começou a cantar mais forte sacudindo as sua bolsas. O poderoso Fantasma do Elefante Gris girou e rodeou a aldeia dizendo: Oompa,oompa,oompa. Houve então um grande regozijo na aldeia e seus habitantes se uniram oara cantar o Ging gang goolie.
Obs: A história "O Grande Fantasma do Elefante Cinza" foi escrita por Dorothy Unterschutz, uma escoteira e Alberta, Canadá e foi publicada pela primeira vez na revista dos escoteiros canadenses "The Leader" no numero de Junho/Julho de 1991.

3 de jul. de 2008

Agradecimento

Desde 1996, ainda Pioneiro do antigo 28º Distrito, que me dedico ao Escotismo local, trabalhando a fio no staff em muitas atividades Escoteiras. Em 2000 comecei como carregador de livros da Equipe de Formação. Neste mesmo ano, comecei um Trabalho como Coordenador do Ramo Sênior. Depois participei da Equipe de alguns Cursos, chagando a ser Coordenador de Adultos do Setor 11. E, por último, no final de 2006, fui indicado e eleito por 7 dos 8 Grupos que escolheram o último Comissário distrital. Paralelamente, em janeiro de 2007, o Presidente da UEB/RS me convidou para assumir este Distrito.
Foram 12 anos ao todo, muitos felizes, muitos difíceis, todos valiosos. Aprendi e cresci com as derrotas e fui feliz com as vitórias, mas não fiz nada sozinho, e por justiça preciso agradecer:
Agradeço e peço desculpas à Leila, minha querida esposa, por ter que me agüentar “dioturnamente” na minha loucura pelo Escotismo, e por ter sofrido comigo quando estive em dificuldades. Por vários anos a fio fez um magnífico trabalho no ramo Sênior, além disso, trabalhou muito diretamente em prol do 4º Distrito.
Hermes, amigo e irmão de longa, por ter agüentado minhas broncas e ter acumulado as funções de tesoureiro, CD Adjunto e Coordenador de Recursos Adultos do Distrito.
Bruno, que desde antes de ao assumir o Distrito, é Coordenador Ramo Lobinho fazendo um trabalho brilhante, onde sua equipe parece ser um só.
Rafael, que retornando ao Movimento em 2006, ter a coragem de assumir como Coordenador do Ramo Escoteiro onde até então fez seu trabalho ao estilo tradicional e vanguardeiro ao mesmo tempo.
Fátima, Coordenador do Ramo Sênior, aceitou assumir este tão importante e difícil Ramo, onde os chefes trabalham na mais perfeita harmonia.
Colomé, que resgatou muito do nosso Ramo Pioneiro.
Goreti, que como Coordenadora Ramo Pioneiro não deixou nada a desejar.
Emir, Coordenador de Operações, juntamente com o Renato, seu Adjunto, fizeram um trabalho de logística no padrão!
Rentato Mariano, que está engordando o Distrito, nosso Cozinheiro Oficial, e todo mundo pede por ele nas atividades, seja para emprestar um facão, um liquinho, lampião, fogareiro, ou só para se divertir ouvindo seus chingamentos. Um grande coração!
O Figueiredo. Que apesar de estar em Curitiba, como Coordenador de Segurança no tempo que esteve aqui, fez um trabalho de primeira!
Freddy. Coordenador Radioescotismo , realizou um trabalho até então nunca realizado, conseguindo reunir o maior nº de participantes em uma única estação no Brasil no JOTA 2007.
Helmuth, sempre pronto para representar o Escotismo nos eventos sociais de Santa Maria.
Franco, que assumiu uma “batata quente” no CONDEMA e deixou seu recado por lá.
Ronaldo, nosso Web Master , incomodei tanto esse rapaz nesses últimos tempos, “arruma aqui, acerta ali”, e tornou realidade o nosso site, que não deixa nada a desejar aos melhores sites sobre Escotismo que estão no ar.
Por último, e mais importante, obrigado a toda essa mocidade, que é o nosso motivo de estarmos aqui, jovens que participaram das as atividades por nós organizadas, nos dando o prazer dos seus sorrisos irradiando o Escotismo em seus semblantes.
Sinto que cumpri parte de meu dever no Escotismo. Vivi dias magníficos e senti o orgulho de pertencer a este Distrito. Mas tenho muito ainda a fazer. Minha bússola me mostra outros horizontes, que impõem meus modestos esforços. Meu apito - presente do Chefe Renato Mariano - vai soar alto, mas em outras pradarias. Saibam que em meu peito tem uma miscelânea de alegrias e dores. Deixo minhas esperanças de construtor, onde as palavras não podem expressar o que eu quero dizer.Copiando a frase de um grande homem, repito agora: "Onde quer que eu esteja sentirei a responsabilidade de ser revolucionário!"Espero rever os amigos ao pé do fogo pela manhã em um acampamento qualquer, sorvendo um delicioso café na cambona.
Hoje me despeço do 4º Distrito, mas não do Escotismo. Vou continuar o trabalho, só que por outras bandas.
Ah, quem quiser me acompanhar, será bem vindo!
Obrigado! Obrigado! Obrigado! Obrigado!
IM Deivid Vincent Rezer Alves

15 de mai. de 2008

                                     Carta de um Escoteiro
                
Por Chefe Sérgio Vanti

Querido papai
Andava eu pelas ruas como faço habitualmente buscando algum biscate que me permitisse beber um gole a mais... Tu sabes como sou. Deparei-me com a sede de meu velho grupo escoteiro.  A porta estava aberta, entrei tudo abandonado, cheirando a velho e mofo. Senti como um baque, um murro no peito a dor no coração, me vi menino em meio aos bons camaradas da patrulha, a formatura, os gritos de tropa, os jogos... Súbito alguém me chama pelo nome, me viro olho quem me chama. Surpreso, meio envergonhado vejo que é Mauro, meu antigo monitor.
         José és tu mesmo? Mas quantos anos, que fazes aqui?
Um estrondoso silêncio é minha única resposta.
         Chega! É demais, viro as costas saio correndo o passado me afoga em meio a doces e dolorosas lembranças.
         Papai tu lembras quando eu era um menino, levaste a mim e meu irmão ao grupo escoteiro, pela primeira vez? Lembra que me contavas como sonharas em ser escoteiro e tua pobreza nada te permitia senão estudar e ajudar em casa? A tua alegria quando teus dois amados filhos te disseram “Sempre Alerta”?
         Eu me lembro papai, isto eu não esqueci. Lembro da fé que tinhas no escotismo e dizias sorridente: - O velho BP sabia das coisas, os escoteiros podem guiar a nação.
         Lembro do teu orgulho, não cabias em ti de felicidade no dia de nossa Promessa. Meu coração saindo pela boca, a seriedade de meu irmão, eu dizendo “Prometo por minha honra cumprir os deveres para Deus, a Pátria e o próximo... Lembro, pai, naquele dia te vi chorar, quando me pusestes o chapelão. Só tinha te visto chorar uma vez, quando mamãe faleceu”.

         Corro para minha casa imunda, bato a porta, não consigo parar de chorar.
         Pai, a muito não cumpro minha promessa feita a Deus, a Pátria e a ti.
         Lembro do dia em que te falei: - Vou largar a sênior. Tu me perguntaste, por que meu filho? Até hoje não sei, pai.
         Do dia em que te disse: - Não vou estudar mais
         Do dia em que saí de casa.
Voltei para te ver quando quase já não estavas aqui e partiste com tua mão entre as minhas, um sorriso no rosto cansado, dizendo, Sempre alerta, querido.
Como pude como pude ser tão mau filho, tão pouco escoteiro?
         Tiro debaixo da cama uma velha mala com as poucas coisas que não vendi. Roupas, fotos amareladas, uma faca, lembrança da segunda classe, e meu uniforme cáqui, meu querido uniforme que eu desonrei, os distintivos, o numeral.
         Lembras papai, com que felicidade nos entregastes as custosas fardas, que no dia a dia de homem simples economizaste para mandar fazê-las?
Querias ver teus filhos, garbosos escoteiros.
         Estendida sobre a cama, encharcada de um pranto incontrolável, tento sentir as pontas de teus dedos no pano que muitas vezes tocaste, muitas vezes abraçaste com tanto carinho ao final de cada reunião.
         Pai, como errei tanto? Serei passível de perdão?
 Olho para o puído distintivo de promessa sinto a dor abrasar meu coração.
 Devo estar ficando louco. Como uma adaga perfurando um corpo sedento de redenção... Sinto-te soprar em meu ouvido:
Filho, sempre é tempo de cumprir nossa promessa!
Alucinado arrependido em doloroso despertar, entre soluços jogo-me de joelhos ao sujo piso, ergo a voz com o fervor de uma oração.
Neste momento abençoado, eu renovo minha promessa, redimir-me hei de minhas faltas, deixarei esta maldita vida, cumprirei os meus deveres!
Por ti, meu amado pai, pelo escotismo, pelo Brasil!
 Palavra de escoteiro!
Sempre alerta, querido papai.

Teu sempre, José.






Escrevi isto há alguns dias, dedico a meu amado pai, e aos verdadeiros amigos Escoteiros que me acompanham nesta renhida luta de educar, em especial, Elisa, Bepinho, Augusto, Marques, Michel, George, Júlio, Tiarles, vocês moram em meu coração!               

Quem sou eu