Aventura: Travessia do Rio Vacacaí
Percurso: 55 Km, do Passo do Verde até a Praia de Tunas.
Data: 27 a 29/12/2002
Participantes: Tropa Sênior Gengis Khan do Grupo Escoteiro Boca do Monte
Transporte: Jangada fabricada pela Tropa Sênior, com 4 câmaras de pneus e 4 bolsas de ráfia contendo 25 garrafas PET cada uma. A estrutura de sustentação dos flutuadores foi confeccionada com taquaras amarradas com adriças. A jangada media aproximadamente 2,50m X 3,50m e o mastro tinha 2,50m de altura.
Equipe Técnica: Renato Caetano Mariano dos Santos e César Becker
Equipe de Apoio: Deivid Vincent Rezer Alves, Fabiano Miranda e Maria Helena Canofre Mariano dos Santos.
Tripulação: Adriano Canofre Mariano dos Santos(15 anos, sênior), Arthur Cezar Silva Guerra(14 anos, sênior), Clóvis Marques de Castro Filho(14 anos, sênior), Ricardo Juliano Rippel Silveira(17 anos, sênior), Leila Wilm (40 anos, diretora técnica), e Ronaldo Canofre Mariano dos Santos (21 anos, chefe da Tropa Sênior).
A idéia de realizar essa aventura surgiu a partir de muitas conversas em reuniões da Tropa Sênior e em encontros para realizar outras tantas aventuras!
Sabemos que grandes feitos, para serem realizados precisam de muitos planos, teorias, projetos, experimentos, etc. Foi mais ou menos o que fizemos! Teve muito “blá, blá, blá” e muita teoria (umas furadas, outras até aproveitáveis)!
Durante todas essas discussões, o Chefe Renato e alguns amigos estiveram conosco, pois eles eram as pessoas que tinham o conhecimento das técnicas e também do leito do rio. E, verdade seja dita, quem plantou a semente dessa aventura foi o próprio Renato (até desconfiamos que quando ele viu que nós havíamos gostado da idéia, ele começou a ficar apavorado, porém já era tarde demais: daí para a coisa crescer foi “um pulo”)!
Decidimos, então, fabricar uma jangada e descer o Rio Vacacaí, no trecho compreendido entre o Passo do Verde, em Santa Maria, e a Praia de Tunas, em Restinga Seca.
Foi feito um projeto da jangada, mas na hora “H”, o projeto sofreu modificações daqui e dali, levando-se em conta diversos fatores, como material a ser utilizado, o peso que teria que suportar, a capacidade de flutuação, a durabilidade das amarras, etc.
Apenas duas reuniões foram marcadas para as “tratativas”. Uma na terça-feira, dia 24 (véspera de Natal), com a finalidade de elaborar a lista de mantimentos, material necessário, marcar horários, e obter a autorização formal dos pais dos menores participantes e outra na quinta-feira, dia 26 (24 horas antes da partida), para reunir todo o material. Marcamos a partida rumo à Base 1(Passo do Verde) para o dia 27 de dezembro de 2002, às 16:30 horas.
Diário de Bordo
Sexta-feira, 27 de dezembro de 2002.
Decidimos iniciar o relato desse diário antes mesmo de estarmos a bordo, porque na verdade as nossas mentes já estavam a bordo há dias!
Encontramo-nos na casa do Renato às 14:30h de sexta-feira.
Um ônibus da Empresa Transmariano estava à nossa disposição. Carregamos todo o nosso material, inclusive os dois botes de apoio e um motor.
Partimos às 16:30h, conforme havíamos combinado, para o Passo do Verde, onde seria montada a nossa Base 1.
Lá passaríamos a noite e, no dia seguinte, bem cedo, começaríamos a construção da jangada.
Chegamos ao local 40 minutos depois, descarregamos o ônibus e montamos toldo, barraca e redes. Improvisamos a cozinha (importantíssimo) e ficamos “na concentração”. Até aquele momento a nossa equipe estava formada por seis pessoas: Renato, César, Adriano, Arthur, Clóvis e Ricardo. Os demais chegariam no dia seguinte.
Fizemos uma fogueira, jantamos e sentamos sem fazer nada, apenas conversando, por horas a fio. Escutamos as instruções do Renato e do César e muitas, muitas piadas e xingamentos carinhosos, principalmente aquela troca de “carinhos” entre Renato e Clóvis. Isso era um bom sinal. O Clóvis (que é o Sênior mais novo na Tropa), já estava “entrando no ritmo”.
A ansiedade tomava conta de todos, mas ninguém demonstrava medo ou preocupação. Apenas uma vontade imensa de que as horas passassem logo, para podermos iniciar aquela aventura e realizar o nosso sonho. Com certeza todos adormeceram com um só pensamento em suas cabeças e quem sabe, sonharam o mesmo sonho. Afinal, Raul Seixas já dizia que “sonho que se sonha junto é realidade”!
Sábado, 28 de dezembro de 2002.
O Renato e o César foram os primeiros a acordar. Esperávamos o chefe da Tropa, Ronaldo, a chefe Maria Helena e o chefe Deivid ainda pela manhã. Na hora combinada, Renato foi buscá-los com o barco a motor, na praia. Chegaram por volta de 06:40h, e em seguida todos estávamos em pé, tomando um café bem reforçado, pois teríamos muito trabalho pela frente!
Às 08:00h iniciamos a construção da jangada. Muitos veranistas que estavam por ali, paravam para ver o que estávamos fazendo e para perguntar para que estávamos fazendo! Ao ouvirem a resposta, alguns emudeciam, outros nos olhavam com olhares incrédulos ou admirados e alguns ainda diziam o que nós já sabíamos: “vocês estão loucos”!
Inclusive uns bombeiros que estavam no Passo do Verde vieram ver a jangada e parece que gostaram da idéia.
Estávamos realmente loucos! Loucos para ver aquilo pronto, colocar na água e iniciar a travessia!
Já havíamos construído um protótipo uma semana antes e testamos em Três Barras, mas era uma jangada bem menor, a qual batizamos de Gengis Khan I. Agora estávamos fazendo algo muito mais sério. A jangada que estava sendo construída tinha que percorrer 55 Km sobre o leito do rio, com correnteza, seis tripulantes e todas as nossas mochilas! Levamos exatas 3 horas na construção de nossa obra-prima: o Gengis Khan II, carinhosamente chamado de “GK-II”. Todos ajudaram na construção: todos mandavam e todos obedeciam!
“Cala a boca Adriano” e “Se liga, Arthur”, eram as frases mais ouvidas. Mas tudo na santa paz e na brincadeira, para descontrair e fazer com gosto o que é muito sério!
Instalamos um mastro na jangada, com a bandeira da Tropa Sênior Gengis Khan e um lenço do Grupo. Ficou muito, muito poderoso !
Almoçamos ao meio-dia e começamos a reunir nossos coisas, já preparando-as para colocá-las nos botes e na jangada.
Às 12:40h o Renato foi buscar na praia os componentes da equipe que faltavam: Chefe Leila e Fabiano “Kamikaze”!
Eles chegaram bagunçando, xingando e ouvindo xingamentos (faz parte), e foram almoçar (ainda bem que tinha sobrado bastante comida – era um carreteiro muito delicioso).
Depois, tratamos de levar tudo para os botes e colocar a jangada na água pela primeira vez. Os veranistas vieram até a praia olhar aquele movimento e alguns até gritaram: “boa sorte”! “Obrigado, vamos precisar”!!, respondemos.
Demos uma “voltinha” na GK-II e vimos que funcionava perfeitamente. Encostamos na praia e carregamos todas as mochilas para a jangada, as quais foram cobertas com lonas para não molhar. Aliás, todo o nosso material foi devidamente acondicionado em plásticos – essa era a instrução n°2! A n° 3 era que colocássemos 2 garrafas PET amarradas em cada mochila. Assim, numa emergência, elas flutuariam. A lição n° 1 era óbvia: ninguém entra nas embarcações sem coletes salva-vidas!
Estava previsto que a tripulação seria composta pelos seniores, o chefe da Tropa e o Fabiano. Mas na hora houve uma mudança de planos (que explicaremos mais tarde) e o Fabiano foi sumariamente trocado pela Chefe Leila, que deu um pulo maior que a altura dela ao receber o convite! Mas isso não deve ser muito difícil, pois ela só tem um metro e meio de altura!
Às 14:30h a tripulação e a carga estavam sobre o GK-II iniciando a travessia.
Era realmente uma obra de arte: 4 câmaras de pneus, 5 bolsas de ráfia com aproximadamente 25 garrafas PET em cada bolsa, e uma estrutura de taquaras grossas amarradas com adriça e sisal para dar sustentação aos flutuadores. Havia 6 lugares para a tripulação. “Confortáveis” bancos de madeira (inesquecíveis), e 4 remos. Faríamos um revezamento com os remos. Inicialmente, Ricardo e Ronaldo ficaram atrás, com os remos maiores e fazendo leme para dar a direção. Adriano e Clóvis ocuparam os lugares do meio, com os remos menores. Arthur e Leila na frente (só no “bem-bom”, por enquanto). O sol batia com toda a vontade em nossos rostos e pernas, castigando os “indisciplinados” que não usaram um protetor solar.
O dia estava perfeito: sol, calor, céu azul.
Mas o calor e o sol forte eram um incentivo, não um castigo.Para cada um de nós, era um grande orgulho fazer parte daquela equipe. Orgulho de ser escoteiro, de estar ali com os companheiros, orgulho daquela parceria, daquele sonho em comum, de ter toda aquela força de vontade, orgulho de ser aventureiro e, principalmente, orgulho um do outro!
No início parecíamos baratas tontas, meio perdidos, sem saber exatamente como remar, qual a hora certa de fazer o leme. Nem sabíamos se era melhor ir pelo meio do rio ou seguir uma das margens. Mas logo, logo, aprenderíamos a melhor (e a pior) forma de fazer as coisas!
O Renato aproximava-se com seu barco a motor e dava instruções, repetia instruções, insistia nas instruções, gritava instruções (para ver se entrava nas nossas cabeças, porque cabeça de sênior, sabe como é: meio dura...)! A jangada descia o rio lentamente, ora para o norte, ora para o leste, naquele rio sinuoso... os remos batiam na água meio tímidos, a princípio, mas com força e sincronia logo a seguir.
A correnteza, com sua vontade própria, desviava um pouco o nosso curso, às vezes. Estávamos aprendendo a lidar com ela e respeitá-la, sem nunca tentar vencê-la, pois logo vimos que isso é absolutamente impossível! Ela vinha dos dois lados do rio e não podíamos ser pegos pelas laterais, sob pena de sofrermos uma “virada” de 360°! Renato e César encostavam o barco a motor perto de nós e falavam sobre as coisas que poderiam acontecer, como deveríamos agir, e mais uma porção de palavras de incentivo, mas sempre demonstrando muito cuidado com tudo.
Ainda não sabíamos bem o que significava entrar no tal redemoinho de 360° ( mas logo iríamos saber)!
Não demorou muito para que ficássemos um pouco mais descontraídos e aí começaram as piadas e os “carinhos”. Tem coisas que não dá para escrever aqui: uns “poemas” que foram declamados que não se sabe de onde tiraram... teve muita música também... o Clóvis soltou a garganta e até “Menino da Porteira” ele cantou na íntegra. Músicas escoteiras, “gritos de guerra” sênior, coisas do gênero...
Continuava-se ouvindo muito: “Cala a boca, Adriano!” Mas ele bem mereceu ouvir isso muitas vezes, pois é agourento como ele só: mais ou menos a 100 metros de distância de algum obstáculo ele já estava prevendo um acidente e gritando: “Cuidado com os galhos!”, “Cuidado com a correnteza!”, “Vamos virar”, “Vamos bater!”, etc.
As cheias do rio tinham destruído muita coisa naquelas paragens. A água tinha tomado conta do primeiro andar das casas dos balneários e as árvores das margens estavam submersas. Com a baixa da enchente por esses dias, as copas das árvores (ou melhor, os galhos semi-destruídos), estavam começando a aparecer. O perigo era grande, pois tínhamos que tomar cuidado para não sermos empurrados em cima dos galhos, sob pena de ficarmos encalhados. A correnteza de uma margem podia nos empurrar para a outra margem e era aí que estava a dificuldade!
Mas isso nós já havíamos entendido desde o começo, e os direcionadores (Ronaldo e Ricardo) estavam fazendo leme tão bem que nem pareciam “marinheiros de primeira viagem”. Aliás, vale registrar aqui que TODOS os tripulantes eram marinheiros de primeira viagem!
O gostinho, o sabor daquela aventura estavam provocando manifestações em cada um, e procurávamos dizer algumas palavras que pudessem expressar o que estávamos sentindo naquela ocasião.
O Ronaldo lá pelas tantas soltou essa: “Estou no Paraíso”! e o Ricardo veio com: “Agora já posso morrer, realizei um velho sonho”! A chefe Leila encarou a sua presença ali como prova de bem querer do chefe Ronaldo (que um dia foi sênior de sua Tropa - quase um filho): “Agora sei que tu me ama, Ronaldo, senão não tinha me convidado”!
É claro que no meio de tantas coisas boas, sempre tem as “avacalhações”! O problema maior desse tipo que enfrentamos foi com o Adriano, que estava meio atacado dos males do intestino e gases, mas nada que duas ou três remadas na cabeça não resolvessem!
Tem também os probleminhas mais sérios: às vezes nos distraíamos um pouco e quando víamos estávamos em cima da correnteza, aí se ouvia a ordem: Um, dois e... FOI! Quando se ouvia “FOI”, era o momento exato de colocar o remo na água. Depois cansamos daquelas “palavras de ordem” e resolvemos variar com: “Um, dois, RÊ”, depois com “BOTA, ti-ra, BOTA, ti-ra!”. De qualquer forma, estava dando certo!
Durante o percurso tínhamos por vezes a companhia do bote de apoio (onde estavam os gêneros alimentícios, as máquinas fotográficas, remédios, cordas... ), cujos tripulantes eram Maria Helena, Deivid e Fabiano.
Lá pelas tantas, o Fabiano puxa do fundo do bote um panelão de ferro com o que sobrou do carreteiro e se atracou a comer, com um colherão tão grande que mal cabia na bocarra dele. O Deivid não se fez de rogado e cortou uma garrafa PET no meio, fez um prato para ele e atacou o carreteiro. Dizem que estava bem bom... mas nós, da jangada (os loucos de fome), ficamos só na bolachinha...nem chegaram perto de nós com a panela... vai que a gente quisesse um “teco”!
A Maria Helena bateu fotos o tempo todo (mais tarde soubemos que o filme queimou todinho, e mais tarde ainda soubemos que não queimou nada, a tampa da lente é que ficou fechada)!
Mas vamos explicar a presença do Fabiano no bote, e não na jangada: montanhista de carteirinha, já escalou picos bastante altos no Brasil, inclusive o famoso Dedo de Deus, com 1.692 metros de altura. Mas na hora de entrar no GK-II...deu um embrulho no estômago, uma sensação de “quero-a-mãe” e ele resolveu ir no bote. Bom para a chefe Leila, que ocupou o lugar dele, a convite do Ronaldo!
Os tripulantes só não queriam de jeito nenhum que a chefe Leila pegasse nos remos e ela, indignada, quis saber o motivo: “Por acaso vocês acham que eu só sirvo para contra-peso?”. Embora seja mais ou menos isso, a resposta foi outra: “Não, é que contigo nós não podemos gritar nem xingar, mas com o Arthur, o Adriano e o Clóvis nós podemos”! Ela engoliu a explicação, mas teimosa do jeito que é, deu um jeito de remar um pouquinho no dia seguinte.
O Arthur também já estava incomodando para remar um pouco e a gurizada que remara até então estava meio cansada. Resolvemos, lá pelas l6:00h, fazer uma pequena parada para comer, descansar e revezar os remos.
A parada foi rápida, pois era grande a ânsia de reiniciarmos a travessia. O Arthur revezou com Clóvis e passou a remar.
Na parada, o Renato avisou que passaríamos pelo “Paredão” e que teríamos que tomar muito cuidado, pois era bastante perigoso. Na verdade, com toda aquela ânsia, creio que nem demos muita atenção ao Renato quando ele falava em “Paredão”! Afinal, andávamos sempre à procura de “paredões” para fazer rapel... um a mais, um a menos não iria fazer muita diferença. No nosso subconsciente, “paredão” era uma coisa boa!
Voltamos à jangada e reiniciamos a aventura, muito felizes e bem alimentados.
De repente, apareceu na nossa frente o “monstro” de que falava o Renato: o “Paredão”! Não nos impressionamos nem um pouquinho, pois de longe não dava para termos uma exata noção do que poderia significar aquilo. O que dava para notar era que o rio ficava mais estreito, e uma das margens era uma alta parede de pedra, ao invés de ser de terra e vegetação!
Mas quando fomos nos aproximando, percebemos (ou melhor, sentimos no “couro”) mais algumas particularidades: o leito era muito mais estreito do que parecia e a correnteza era muito, muito mais forte, e empurrava de um lado para outro – e isso NÃO podia acontecer, pois bater em galhos era uma coisa, mas bater na parede de pedra era extremamente perigoso, porque a jangada com certeza iria espatifar-se contra o Paredão. Não iria sobrar nada do GK-II.
E de nós, sobraria?
Parecia tarde demais para qualquer atitude. A correnteza era forte, a parede crescia diante de nossos olhos. Tínhamos que passar por ali de qualquer maneira!
Ouvimos apenas a ordem: “REMEM”! E os remadores colocaram toda a sua garra nos remos. Adriano estava cansado, não tinha revezado ainda. Então ouvimos o Ronaldo gritar, com uma tremenda presença de espírito: “Adriano, passa o remo para o Clóvis!” Acho que pela primeira vez até então, o Adriano não discutiu a ordem dada. Foi uma coisa imediata, um misto de desespero e esperança, confiança no braço um do outro, vontade imensa de sair dali. Então descobrimos de verdade o que era redemoinho: a correnteza nos pegou na lateral e entramos num 360°! Não adiantava remar, nem chorar, nem gritar. Era levantar os remos, tirando-os da água e esperar que a volta se completasse (ou quase).
Um pouco antes que a volta estivesse completa, e no momento exato, a ordem novamente: “AGORA! REMEM”!
E graças a Deus pelo Nescau que esses meninos tomaram até então! Ouvimos cada um dar o seu “grito de guerra”, brigando com a correnteza e ganhando a batalha!
Todos os rostos estavam molhados de suor, todos as línguas secas, a adrenalina havia tomado conta totalmente de nós, mas um sorriso em cada face e os olhares de cumplicidade indicavam a satisfação de termos vencido juntos!
Sabíamos que havia mais um Paredão para passarmos e, ansiosos, a única coisa que vinha em nossas mentes era: QUE VENHA! Não tínhamos mais medo de nada. Aliás, não tivemos medo em momento algum, apesar de alguns membros da equipe perguntarem se tínhamos levado roupas “de baixo” de reserva...
Nosso plano era remar até às 18:30h aproximadamente e assim completar as 4 horas do primeiro dia, percorrendo mais ou menos 30 Km. Escolheríamos então um bom local para acampar, comer, pernoitar e dar manutenção à jangada, caso necessário, e no dia seguinte, partiríamos às 08:30h. Mas não foi bem assim...
Já estava quase na hora combinada para pararmos e montarmos a Base 2, onde jantaríamos e passaríamos a noite. Esperamos o barco do Renato aproximar-se para indicar-nos o local do acampamento. Ele e o César iam na frente, procurando um bom lugar, e voltariam para avisar com bastante antecedência, pois tínhamos que remar contra a correnteza para conseguir parar no local.
Em um determinado momento, o Renato estava perto de nós, quando avistamos uma praia e vimos que o outro barco de apoio estava parado ali ( havia também algumas pessoas desconhecidas na areia). Pensamos que seria um bom local (habitável) e tratamos de remar para lá. Mas a correnteza era forte e parecia que não íamos conseguir encostar.A jangada ganhou muita velocidade naquele trecho e naquele instante avistamos um cabo que ia de margem a margem. De longe parecia uma corda, e parecia estar bem acima do nível da água. Mas, ao nos aproximarmos, ouvimos uma pessoa que estava na praia gritar: “Cuidado, é um fio de luz”. Foi tudo uma questão de segundos. O fio estava imprudentemente colocado por sobre a água, há mais ou menos 1 metro do nível, para fornecer energia elétrica para as pessoas que estavam na outra margem. Nosso mastro tinha 2,50m de altura, estávamos a poucos segundos dali, a correnteza era forte... pulamos sobre o mastro e abaixamos o máximo, pois a ruptura do fio elétrico causaria um acidente grave! A sorte que as cordas que prendiam o mastro eram elásticas e conseguimos baixá-lo a tempo. O Ricardo ainda conseguiu levantar o fio alguns centímetros, com auxílio do remo. Foi um susto e tanto!
Esse susto desviou um pouco a nossa atenção e quando “voltamos à real”, estávamos novamente em perigo: uma enorme árvore submersa com seus galhos secos e cortantes estava bem à nossa frente. Tarde demais. Ronaldo gritou: “segurem todos nos galhos que a jangada pára!”.Tentamos, mas a correnteza era bem mais forte que nós. Tivemos que nos jogar ao chão da jangada, deitar o corpo para onde fosse melhor e procurar proteger os rostos. Deu certo. Conseguimos fazer isso e ainda baixar novamente o mastro. A bandeira se prendeu nos galhos (mas não rasgou), ficamos arranhados nos braços e pernas, nada grave! “Apenas” mais um tremendo susto! Nenhum “homem ao mar”!
Depois disso tudo começamos a nos preocupar, pois a correnteza estava bem mais forte por aqueles lados. Tínhamos que parar, pois já era tarde e em seguida iria escurecer. Mas todos os lugares que avistávamos ficavam logo após as curvas do rio, de forma que quando os avistávamos, não tínhamos mais tempo suficiente para proceder às manobras necessárias para atracar!
O Renato havia descido com o barco já há algum tempo e estava demorando muito a voltar. O barco de apoio vinha logo atrás de nós, e todos os tripulantes também estavam preocupados com a parada, apesar de que para eles era mais fácil, pois o barco era leve e carregava menos peso na carga.
Já passava das 19:00h e ainda estávamos na água!
De repente, avistamos um lugar. Parece que todos gritaram ao mesmo tempo: “Lá!”. Não sabíamos se era um bom local, se dava apara encostar ou acampar ali, se tinha dono ou não, mas era um lugar sem árvores submersas (pelo menos não se via galhos), e estava bem longe, de modo que teríamos tempo suficiente para iniciar as manobras que nos levariam até lá! Indicamos o local à equipe de apoio e eles nos seguiram.
Quando nos aproximamos, o GK-II praticamente atracou de choque a popa contra o barranco, tamanha foi a violência da correnteza. Mas em seguida a jangada parecia entrar novamente na correnteza, de volta para o centro do rio. O Ricardo foi o primeiro a pular na água para segurá-la e nesse momento sua bermuda ficou presa nos galhos. Todos tratamos de pular na água e conseguimos erguer a popa, de forma que ela não voltou novamente para a água.
Nesse momento o barco de apoio vinha atrás numa velocidade que até parecia que tinha motor! Era impossível segurar o barco e vimos, um tanto apavorados, que eles iam bater nos galhos de uma árvore logo abaixo. Realmente bateram; mas foi de propósito, pois encalharam ali e essa era a única maneira de parar, levando em conta a velocidade que haviam ganho. Tratamos de pegar uma corda para puxá-los. Então verificamos (falha nossa!) que na nossa embarcação não havia corda. Pedimos que eles nos jogassem a corda e eles nos informaram que a corda também não estava com eles! Mas onde, diabos, estavam os cabos? Deveriam estar no barco do Renato! Mas onde, diabos, estavam o Renato e o César? Haviam descido o rio há tempo e não subiram ainda!
Então o Ronaldo lembrou dos cabos solteiros (com aproximadamente 4 metros cada um), que estavam em uma das mochilas. Amarramos um cabo no outro e puxamos o bote. Quando a Maria Helena desceu, descobrimos onde estavam as cordas: ela estava sentada em cima!
Depois que todos estavam em terra firme, avistamos o barco do Renato, voltando rio acima com dificuldade, com o motor apanhando da correnteza, tamanha era a força da mesma.
Eram 19:45h quando chegamos nesse local.
O lugar que escolhemos para montar nossa Base 2 chamava-se Colônia Borges. O Ronaldo falou com o proprietário das terras e o mesmo permitiu que acampássemos ( e se ele não permitisse?)...
Bem, ali passaríamos a noite, e muitas, muitas histórias já tínhamos para contar!
Uns saíram a catar lenha, outros armaram toldos, cada qual armou sua rede ou barraca, a cozinha foi improvisada e fomos aos banhos. Banho com sabonete, shampoo, depois desodorante, roupa seca (que maravilha)!
O Fabiano foi logo preparar a “ração” dele (nem parecia que tinha detonado o carreteiro). Preparou a massinha e mandou ver! Ainda sobrou um pouco de carreteiro e a Maria colocou num pote, e aquilo passou de mão em mão, todo mundo comeu um pouco, tamanha era a fome dos malucos!
O Renato levou uma bateria para termos luz e um lampião a gás, mas não dava para ligar perto do acampamento, pois corríamos o risco de comer mariposas ou sermos comidos por elas, tamanha era a quantidade daqueles bichos! Preparamos um “macarrão-meio-sopa”, temperado com carne e mariposas, uma delícia. Havia suco também, com açúcar e mariposas.
Então nos reunimos para nos xingar (já estávamos com saudade dos elogios) e sermos xingados, é claro, e também para contar os fatos ocorridos até então. Ninguém queria deixar passar nada, todos os mínimos detalhes eram relatados, e só então ficamos sabendo que o bote da equipe de apoio não só havia rodado várias vezes, como também havia batido de frente no Paredão. Devido à leveza da embarcação, não houve como parar a tempo e o choque foi inevitável. Ainda bem que a embarcação era super resistente e ninguém sofreu um arranhão sequer.
Com a dificuldade em parar, acabamos percorrendo, em uma hora e quinze minutos, muitos quilômetros a mais do que o previsto, pois a correnteza nos ajudou a avançar bastante. Assim, com certeza não precisaríamos remar mais 4 horas na manhã seguinte, e alcançaríamos a nossa meta até ao meio-dia, no máximo.
Depois de nossa troca de experiências, carinhos e palavrões, resolvemos dormir, pois na manhã seguinte tínhamos que levantar muito cedo para fazer a manutenção do GK-II, reabastecê-lo de bolachinhas e partir rumo à Base 3-final.
Embora soubéssemos que era preciso dormir cedo, não conseguíamos sossegar, de tanta excitação com aquela aventura. Depois de rir muito das “brigas” Clóvis X Renato, fomos obrigados a fechar os olhos, ainda mais depois que o Clóvis saiu com essa: “Renato, já que tu não tá fazendo nada mesmo, aproveita e pega a lanterna e alumia aqui a minha mochila pra eu pegar minhas coisas”. E o Renato foi alumiar... fazer o quê, bem que ele podia ter ido dormir sem essa!
Mas o cansaço nos venceu e em seguida o acampamento estava mergulhado no mais profundo silêncio.
Sono protegido pelos deuses, e sonhos embalados por muitos anjos, com certeza! Dormimos com a sensação de “missão-cumprida-até-aqui”! Cada um com seus pensamentos, suas orações e seus pedidos, mas com certeza todos os fluídos direcionados para uma só meta!
Domingo, 29 de dezembro de 2002.
Quase toda a equipe acordada, com exceção do Arthur e da Chefe Leila, é claro! Agora descobrimos a quem o Arthur puxou para dormir tanto!
Café da manhã, manutenção, carregar, juntar os pertences, agradecer a Deus pelo lindo dia! Tudo feito em equipe, com os xingamentos habituais.
O nome mais ouvido até então: César Nei!
A voz mais ouvida: a do Renato!
A frase preferida: Cala a boca, Adriano!
A pessoa mais feliz: Ricardo
O mais preocupado: Ronaldo
O mais tranqüilo: Arthur
O melhor humor: Maria Helena
O mais balaqueiro: Fabiano
O reclamante: Adriano
O cantor: Clóvis
A poetisa: Leila
O reservado: Deivid
A maioria das piadas, músicas e poemas são totalmente impublicáveis! Não sabemos de onde sai tanta criatividade para certas coisas! Mas numa atividade como essa, tudo é válido (ou quase tudo). O que podemos afirmar com certeza é que os xingamentos e piadas foram todos feitos para distrair e descontrair, porque se não fôssemos parceiros e disciplinados, nada teria dado certo!
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Desde a noite anterior a chefe Leila tinha dado um aviso: “vou remar!” Aquilo estava deixando todos meio preocupados. Na verdade, quando achamos que ela tinha esquecido ou desistido da idéia de remar (e também achávamos que ela não teria forças para isso), ela veio de novo com a mesma história (o pior era a preocupação de não poder xingar a chefe)!
Como dizer: “Cala a boca e rema, chefe Leila”? Pelo menos o Adriano dava para xingar... mas ela insistiu e só não saiu remando porque o Renato teve a idéia de colocar o Clóvis e o Adriano nos remos logo na saída, para garantir. O Arthur também, depois de ter passado pelo Paredão, não queria parar de remar. Então resolvemos que todos ocupariam os lugares iniciais e que os remos seriam passados aos tripulantes da frente, assim eles remariam e não precisaríamos trocar de lugar.
Aí surgiu o problema: não dava para colocar a jangada na água com os tripulantes em cima dela. E não dava para colocar sem os tripulantes porque ela desceria rio abaixo nunca mais seria alcançada por eles devido à correnteza forte. E agora?!
O jeito era amarrar uma corda, soltar a jangada na água, os tripulantes subiriam e soltariam a corda. Mas a corda iria segurar a popa e a proa ficaria balançando para os lados. Teria que amarrar na frente. E de que jeito amarrar na frente?
Ora, amarrando, é claro. Foi o que fizemos, amarramos as duas pontas da corda, uma de cada lado da jangada, e o Renato e o Deivid seguraram a corda bem no meio, sentados no chão, com os pés praticamente enterrados na areia (como se fossem esquiar). Os tripulantes entraram na água, cada um ao lado de seu “posto”. Ao sinal, deveríamos subir na embarcação e soltar a corda, puxando-a rapidamente.
Mais uma vez o plano deu certo. E tudo foi pensado e executado em segundos.
A jangada deslizou suavemente na água com todos os tripulantes ocupando seus postos ao mesmo tempo e a corda foi puxada e enrolada mais rápido do que pudéssemos dizer “a”.
E se ouviu o grito de vitória novamente vindo não só dos pulmões daqueles jovens, mas da alma!
A equipe ficou na praia e ainda de longe dava para ver seus sorrisos e sentir a energia positiva que se espalhou entre nós.
A jangada estava bem mais leve hoje, pois as mochilas que inicialmente haviam sido colocadas quase todas na frente da esteira central, foram colocadas mais atrás, assim o GK-II ganhou velocidade, facilitando o trabalho dos remadores e do leme.
Saímos exatamente às 08:30h. Às 09:30h ocorreria o revezamento .
O rio estava bem mais calmo do que na tarde anterior, nem parecia o mesmo rio! A correnteza estava suave e o sol estava ainda encoberto por algumas nuvens, o que ajudava bastante. Percebíamos que seria um dia extremamente quente, mas pelo menos até o momento, o clima estava suportável.
Dava para notar, observando as margens, que o nível da água havia baixado uns 40 cm.
Pontualmente às 09:30h, os remos foram passados à frente e os tripulantes do centro descansaram um pouco. A chefe Leila se realizou, remando por uma hora, pelo menos, deixando assim de ser apenas “contra-peso”!
Agora já sabíamos quase tudo! Estava muito fácil! O Renato avisou que ainda passaríamos por dois Paredões e, temendo que passássemos pela dificuldade enfrentada no dia anterior, resolveu fazer um “teste”: quando fôssemos passar pelo próximo Paredão, ele encostaria o barco a motor na jangada, para ver se funcionava (em caso de extrema dificuldade), a ajuda do motor.
Ele nos acompanhou até o Paredão (que não era tão grande assim), e fez o tal “teste”, e deu certo. O barco tinha força para suportar a jangada!
Mas nós não queríamos ser “rebocados”, nem empurrados, queríamos entrar e sair da correnteza com nossos próprios recursos!
E queríamos mais quantos Paredões existissem pela frente.
Mas o jeito era esperar então pelo último Paredão e passar por ele com toda a força e garra, vencendo as dificuldades mais uma vez!
Seguíamos tranqüilos, pois a água estava serena, e o Renato foi na frente para ver as condições do rio mais para baixo.
Quando estávamos com quase 3 horas de percurso, o Renato voltou e avisou que estávamos chegando.
Chegando? Já? Mas e o Paredão? “Não tem outro paredão, disse ele. Era aquele o último! Que sorte, não?”
Sorte? Tá brincando. Pára tudo! Vamos voltar! Queremos o Paredão, a batalha!
Brincadeiras à parte, vamos então nos preparar para atracar!
Praia das Tunas: nosso objetivo, nossa meta final!
A praia estava cheia de veranistas olhando aqueles loucos, que chegaram remando uma embarcação diferente de todas que já tinham visto, com uma bandeira grená e prata tremulando: Tropa Sênior Gengis Khan, sinônimo de aventura, coragem, determinação, raça e muita, muita garra!
Por um bom tempo, fomos o centro das atenções. Os amigos do Renato nos esperavam com um churrasco delicioso. Carregamos a jangada para o local onde eles estavam acampados. As pessoas se aproximavam e faziam perguntas, queriam saber o que havíamos feito, admiravam-se, elogiavam. Isso é muito bom, muito gratificante!
Foi com orgulho que tiramos os coletes salva-vidas e ostentamos nossas camisas azuis com o brasão do Grupo Escoteiro Boca do Monte!
Essa foi a nossa aventura tão sonhada, agora tornando-se realidade, para alegria e satisfação dessa Tropa que fareja as dificuldades tão somente para provar a si próprios que elas são nada perto de sua determinação e coragem.
Sênior é assim mesmo. Costuma usar uma frase que é difícil para as pessoas normais entenderem: “Quanto pior, melhor!” E com certeza as pessoas normais que estiverem lendo esse Diário ainda não vão compreender essa frase, mas nós, que participamos dessa aventura, agora sabemos exatamente o significado dela.
Aqui termina o relato do nosso “Diário de Bordo”. Essa foi a nossa primeira aventura náutica! Mas a próxima, ainda maior, já está sendo planejada!
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Agradecemos imensamente
Ao chefe e amigo Renato Caetano, que é o suporte para nossas aventuras, e sem ele os acampamentos não têm a menor graça.
Ao César, que é o “assistente”, amigo e companheiro do Renato e age com toda aquela tranqüilidade contagiante.
À Maria Helena, que larga tudo para cuidar de seus lobinhos e lobões.
Ao chefe Deivid, diretor presidente do Grupo, que se estressa com as nossas loucuras, mas não deixa de nos acompanhar em tudo.
Ao Fabiano “Kamikaze”, um louco montanhista que não mais participa do Movimento, mas será sempre um escoteiro e apoiador das nossas “presepadas”.
À Chefe Leila, que não só apóia as loucuras, mas participa delas junto conosco!
Ao Chefe Ronaldo, Pioneiro, corajoso, que resolveu assumir o comando da Tropa Gengis Khan e está fazendo as coisas acontecerem!
Ao Adriano, que enche, enche o saco, mas está sempre ali, nem que a Chefe Leila tenha que usar métodos pouco ortodoxos para fazê-lo cair “na real” de vez em quando!
Ao Arthur, que jura que ainda é Escoteiro, mas não falta NENHUMA atividade Sênior!
Ao Clóvis, que veio há pouco tempo para o Grupo, e está mostrando seu valor!
Ao Ricardo, que está prestes a deixar a Tropa, indo para o Clã, e empresta seu conhecimento e colaboração à Gengis Khan!
Ao Afonso Martins, da Rádio Santamariense, navegador, nosso convidado para a próxima aventura!
Agradecemos um ao outro, pela parceria, pela alegria de estarmos juntos, pela beleza de nossa amizade e por sermos irmãos de ideal!
Agradecemos a Baden-Powell que nos observa lá do acampamento eterno, e especialmente a Deus por nos ter colocado um no caminho do outro!
SEMPRE ALERTA!
Tropa Sênior Gengis Khan
Dezembro de 2002.
“A Tropa Sênior
Sempre superior
Invadiu cidades
Mostrou o seu valor
E o sangue derramado
Pela tropa não é nada
A quem entrega a própria vida
Pela Pátria amada!”
“Rema, rema, rema,
Rema nessa jangada
Rema na boa,
Rema, gurizada”
(paródia de autoria do Clóvis)
“Recolha-se à sua insignificância” (frase preferida do Ricardo)
“Sai de perto de mim, ô cruza de guará com mão-pelada!” (gentilmente dito pelo Renato ao Clóvis)
“Chefe, olha, já tô com as unhas limpas, podemos ir embora” (César, depois de 8 horas de molho)
“Energúmeno = lergúmide, elergume, lergúmio”... (palavra carinhosa e os “apelidos” da palavra)
“Capaz que vieram do Verde. Essa coisa foi construída logo ali atrás da curva!” (Veranista incrédula das Tunas)
“Isso é muito, muito divertoso!” (Clóvis, sem explicação)
“No alto daquele cume / plantei um pé de roseira/...(o restante do poema, recitado pela Ch. Leila, é impublicável)
“Bota potência nessa jangada: cinco cavalos e uma mula.” (Fabiano, louco para levar um tapa do lado do ouvido).
“Acorda, te liga, descruza os braços, pára de comer!” (De: Todos – Para: Arthur)
“Cala a boca, não enche o saco, vai dormir!”(De: Todos – Para: Adriano)
“Y’all, Willy, y’ all!!” (Tropa Sênior para Chefe Deivid, com o devido respeito)
“Olha a balinha de hortelã!” (De César para Chefe Leila) O curioso é que a bala vinha “embalada” numa garrafa com um líquido transparente dentro, parecia água...)
“Quem vai, não volta jamais
Então finge entender
Mas o meu coração, não...” (música cantada em coro quando a chefe Leila e o Arthur ficaram de pé no GK-II de braços abertos, se achando no Titanic!)
“Angtrdmmmstrr hamhamahamrtssst booommm” (César resmungando dormindo em pé depois de ter caído da rede gentilmente amarrada pelo Clóvis)
“Se você ainda está calmo quando todos já perderam a cabeça, é porque ainda não entendeu a gravidade da situação”. (Ronaldo, filosofando de maneira pessimista)
“Clóvis, isso é hora de lavar o remo?” (Renato, gritando lá do barco, quando viu todo mundo remando e o Clóvis calmamente lavando o remo).
“Vem aqui remar no meu lugar, com esse pau seco e cheio de felpa”. (Resposta do Clóvis ao Renato, com todo o carinho).
“Vão tudo à pqp, agora que eu vi que dormiu todo mundo e eu tô falando sozinho” (Renato, às duas da madrugada, quando se deu conta que ninguém respondia os carinhos dele – mas o Fabiano ouviu essa !)
“Vai virar!” (gritavam na jangada, quando iniciava o 360°)
“Deixa virar!” (Ronaldo, inteligentemente percebendo que não podia fazer nada mesmo)
“Ai, que perninha branca, até parece a do meu sogro”. (César, para Renato, sem comentários)
“Mas, Renato, tu não era assim... tu era pior”... (César, sem explicação)
“Mãiê, tô com dor nas costas!” (Ronaldo, para Maria, que estava no barco ali por perto)
“Estende o remo, que lá vai um Dorflex, filhinho”. (Maria, prevenida)
“Olha, Leila, o Dorflex custou R$2,64 – dois meia quatro!” (Deivid, para Leila jogar no bicho, pois o valor do remédio coincide com o numeral do Grupo Escoteiro)
“Mas se eu nem sei o que é que tem pra fazer!” (Arthur, respondendo quando o Ronaldo dizia que ele estava de braços cruzados, com a jangada ainda por montar!)
“Mas só me enxerga eu, Adriano? Tá apaixonado?” (Arthur reclamando do Adriano, que reclama dele!)
“Trava, Ronaldo, vai pra direita, não tá vendo que vão bater, tem que sair daí, tem que sair, pô!” (Renato, tentando guiar a jangada à distância)
“O senhor tá aí ou tá aqui?” (Adriano, ao Renato )
“Então pára de palpitá e deixa nós remá, faz o favor”...(Ronaldo, complementando a pergunta do Adriano, antes que o Renato, conformado, respondesse: “Tá bom...”e ligou o motor e se sumiu).
“Ai, Adriano, cala essa tua boca, tu só fala besteira” (Arthur, cansado do Adriano)
Clóvis, depois de digitar alguns números no celular, saiu correndo pelo campo da colônia Borges, com o celular grudado no ouvido. Ronaldo, depois de observar aquilo meio intrigado, concluiu que ele estava tentando fazer “pegar no tranco”, já que não tinha sinal!
Eu mereço!
